Em apenas um ano, entre 2009 e 2010, a expectativa de vida do brasileiro subiu de 73,17 para 73,48 - um acréscimo de três meses e 22 dias. Dentro do País, entretanto, as disparidades são enormes.
Enquanto Alagoas amarga uma média de esperança de viver de 68 anos, pouco superior ao índice nacional em 1991, o Distrito Federal se mantém no topo do ranking do envelhecimento, com 76 anos. A marca coloca a capital federal no mesmo nível de nações reconhecidamente longevas, como o Uruguai e a Albânia. A boa-nova, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em dezembro de 2011, deve ser compreendida como um alerta para as necessidades da terceira idade, que hoje representa cerca de 10% da população, segundo especialistas.
"Temos que comemorar, mas também nos preparar para essa realidade. Mesmo porque, além do envelhecimento veloz, a baixa fecundidade atual levará a famílias menores, idosos sem filhos. Então, o autocuidado tem que ser trabalhado desde já", alerta Maria Luciana Carneiro de Barros Leite, assistente social especialista em gerontologia e vice-presidente do Conselho em Defesa dos Direitos dos Idosos no DF. Segundo ela, a falta de política pública pode transformar o acréscimo de anos vividos, para a parcela mais carente da população, em verdadeiro martírio. "As políticas precisam ser orientadas para toda a família. E não somente, mas também, na área da saúde. O idoso de hoje e o de amanhã necessitam, igualmente, de ações em segurança pública, educação, sexualidade, de incentivo ao convívio intergeracional", defende.
A expectativa de vida das mulheres (77,3 anos) é consideravelmente mais elevada que a dos homens (69,7). Os óbitos violentos - como homicídios, acidentes de trânsito e afogamentos - cujas vítimas quando jovens e adultos são homens em mais de 90% dos casos, explicam o principal fator para a longevidade feminina. No Rio de Janeiro, estado cujos índices de violência se destacam, as mulheres vivem nove anos mais. Para o geriatra e professor da Universidade de Brasília Renato Maia, a displicência com a própria saúde também contribui para os índices deles serem mais modestos. "Você não vê um homem desacompanhado em uma consulta. Ele vai empurrado pela filha, pela esposa. Já a mulher se cuida, quase sempre está sozinha no médico", ressalta Maia.
Outra novidade trazida pelo IBGE é a redução da mortalidade infantil. A taxa no Brasil, em 2010, foi estimada em 21,64 óbitos por mil nascidos vivos, indicando redução de 28,03% ao longo da década. Mas, segundo o órgão, ainda não há detalhamento por unidade da Federação ou região.
Fonte: Conselho Federal de Nutricionistas (CFN)


















