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Qui, 14 de Outubro de 2010 15:52

Tratamento de Resíduos: Muito Mais do que Uma Responsabilidade, a Única Forma de Salvar o Planeta

Maria Luiza de Sousa Rossi
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A preocupação com o meio ambiente é mais do que um compromisso a ser assumido, é uma meta em curto prazo caso se pretenda continuar vivendo neste planeta e tendo condições satisfatórias de vida humana. O gerenciamento de resíduos é uma das ferramentas-chave para externar conduta consciente e postura correta em relação à legislação do meio ambiente.

O crime ambiental continua ganhando destaque em algumas páginas de jornal e também em notícias de tevê, sempre voltado às empresas que não entendem ou não cumprem o seu papel em relação à responsabilidade na gestão ambiental. As necessidades do mercado brasi-leiro de gerenciamento de resíduos chegam aos segmentos industrial, químico, farmacêutico, cosmético, magistral, homeopata, às instituições de ensino, ao setor hospitalar, à clínica médica e odontológica, além de serviços de quimioterapia, radioterapia e home care, com a finalidade de implementar a consciência ambiental e também de atender as legislações específicas que influenciam na utilização correta das ferramentas de gestão ambiental, seja por meio de processos de gestão da qualidade, de processos de gestão ambiental, de treinamentos, de assessorias técnicas e/ou científicas ou de outras necessidades da empresa.

As questões ambientais e os trabalhos com índices de sustentabilidade aparecem cada vez mais em destaque entre as pesquisas de especialistas em gestão, colocando frente-a-frente as empresas que possuem tecnologias e soluções ambientais e as empresas que buscam essa tecnologia e as soluções ambientais.

As empresas, de forma geral, devem desenvolver, em sua estrutura, área ou departamento que cuide do assunto em pauta, de forma que possam aplicar as tecnologias adequadas ao tratamento dos resíduos gerados, podendo utilizá-los de maneira inteligente e integrada, permitindo a melhor solução com segurança e agilidade e com o custo/benefício presente em todas as decisões.
As multas e interdições são alvo a todo o momento nos noticiários e reportagens, sendo divulgadas com o intuito de aumentar a conscientização dos empresários e também da população em geral.

A Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) divulga anualmente, em novembro, um relatório informativo de Áreas Contaminadas no Estado de São Paulo. A cada ano este relatório demonstra que a situação está piorando e que cada nova empresa que se estabelece, de qualquer ramo que possua atividade que apresente potencial poluidor, as exigências para instalação e funcionamento legalmente adequados estão presentes de forma sólida e integralmente acompanhada pela fiscalização.

O desenvolvimento sustentável se impõe como desafio para empresas de todos os setores. O mundo de amanhã dependerá do que está sendo realizado no presente. Assegurar a gestão eficiente e inteligente dos recursos naturais é, portanto, semear um futuro sustentável.

A gestão ambiental integrada, e não somente a gestão do tratamento dos resíduos, significa incorporar novas tecnologias, processos e procedimentos em busca do melhor aproveitamento e utilização eficiente dos recursos naturais na cadeia produtiva, considerando o ciclo de vida total do produto. Aplicar inovações e conhecimento em favor da utilização racional dos recursos naturais possibilita a maximização do reúso e reaproveitamento e a minimização da geração dos resíduos. É desse olhar para dimensões mais abrangentes sobre as atividades, a vocação e as aspirações que surgem a missão, a visão e os valores de cada empresa. A seguir, algumas tecnologias de gerenciamento de resíduos.

Aterro

Solução para disposição final de resíduos Classe I (perigosos), Classe II A (não-inertes) e Classe II B (inertes). Os aterros são construídos com tecnologia de impermeabilização de solos, incluindo camadas de argila e geomembrana PEAD (dupla nos aterros classe I), que protegem o solo e a água subterrânea do contato com os resíduos e com o efluente gerado. Os aterros devem possuir eficientes sistemas de drenagem e tratamento de efluentes líquidos e gasosos. O controle e o monitoramento devem ser contínuos, abrangendo análises de qualidade das águas superficiais e subterrâneas, emissões atmosféricas e acompanhamento preventivo da qualidade do solo na área de operações e adjacências. Do recebimento da carga à destinação, todo processo deve ser gerenciado a partir de procedimentos e parâmetros rigorosos, permitindo total rastreabilidade.

Co-processamento

Co-processamento é a tecnologia de destruição térmica de resíduos em fornos de cimento. Em relação a outras técnicas de queima, é uma solução pró-sustentabilidade, afinal envolve o aproveitamento energético dos resíduos ou sua utilização como matéria-prima na indústria  cimenteira sem afetar a qualidade do produto final. Para isso, os resíduos são submetidos a um processo de blendagem, que envolve sua mistura e homogeneização, assegurando boa performance operacional e as características adequadas ao produto final. A tecnologia de co-processamento pode ser aplicada a uma ampla gama de resíduos líquidos, sólidos e semisólidos originários de atividades industriais como petroquímica, química, montadoras, autopeças, eletroeletrônica, siderurgia, metalúrgica, metalmecânica, celulose e papel.

Incineração

Processo ágil, extremamente eficiente e seguro para resíduos de alta periculosidade que requerem completa destruição. O processo é realizado via oxidação térmica em altas temperaturas (800 °C a 1200 °C), com tempo de residência controlado, de forma a reduzir o volume, o peso e as características de periculosidade.

A segurança e a confiabilidade devem ser objetos de controle do processo em todas as etapas.
Todos os materiais provenientes da incineração devem ser tratados; as cinzas e escórias devem  ser dispostas em aterro Classe I e os efluentes líquidos tratados e retornados em alguma etapa do processo de destruição final.

Os gases oriundos da queima são tratados e monitorados on-line segundo os parâmetros de vazão, temperatura, níveis de O2, CO, NOx, SOx e material particulado.

Dessorção térmica

Tecnologia eficiente, limpa e rápida para tratamento de solos com hidrocarbonetos não-recicláveis como gasolina, óleo diesel e querosene. Na Unidade de Dessorção Térmica (UDT), o solo é aquecido em forno rotativo a uma temperatura suficientemente alta para que os constituintes orgânicos sejam volatilizados. Assim, a concentração de hidrocarbonetos é reduzida a níveis que permitem a disposição no solo no local de origem ou uma nova utilização, em favor de sustentabilidade.

Os gases contendo os constituintes orgânicos passam por um filtro manga e são destruídos termicamente em câmaras de pós-combustão. Esta operação quase não causa impactos ambientais e poupa os recursos naturais, pois não utiliza água (quando a refrigeração é a ar). A utilização do biogás gerado minimiza a utilização de GLP na queima.

Normalmente, a UDT é uma unidade móvel que pode ser transportada para qualquer localidade e isso facilita o atendimento, que pode ser feito on site e off site.

Tratamento de efluentes

A estação de tratamento de efluentes tem como objetivo remover os agentes contaminantes presentes nos efluentes, ajustando-os aos padrões previstos na legislação ambiental, para que possam ser encaminhados ao corpo d’água receptor. As estações de tratamento visam o reúso da água na lavagem de pátios e de outras instalações ou ainda possibilitam utilizar água para plantas e jardins. Os estudos para maximizar este reúso devem ser contínuos.

Ações de conscientização

Manufatura reversa

A manufatura rever sa é uma tecnologia de última geração que responde às presentes necessidades de preservação de recursos naturais não-renováveis e a demanda das indústrias por soluções ambientais corretas para destinação e gestão de equipamentos obsoletos, fora de uso ou com defeitos.

São descartáveis que se avolumam ano a ano, devido a um acelerado crescimento no consumo e também pelo ciclo cada vez mais curto na obsolescência dos produtos. As empresas devem implementar critérios técnicos específicos, assegurando a correta separação de materiais, como plásticos, metais e vidros que deveriam ser tratados para reaproveitamento em outros processos industriais. Os fluidos e gases também podem ser coletados e tratados, quando cabível, e recuperados para reaproveitamento ou incinerados, em se tratando de materiais poluentes. É o caso, por exemplo, do clorofluorcarbono (CFC), gás utilizado nos modelos mais antigos de refrigeradores, que destrói a camada de ozônio e agrava o efeito estufa.

Gestão estratégica da água

Seja na perspectiva da sustentabilidade e do compromisso ambiental, seja sob o ponto de vista econômico, a gestão inteligente dos recursos hídricos impõe-se como fator chave para empresas empenhadas em assegurar sua competitividade e a perenidade dos seus negócios. A água é um recurso natural cada vez mais escasso e caro, o que exige estratégia para utilizá-la de maneira eficiente e racional. A instalação de um novo empreendimento ou a ampliação de um empreendimento existente demanda estudos sobre a disponibilidade hídrica do local, a fim de garantir o abastecimento. Da mesma forma, é fundamental projetar como será o descarte e o reúso dos efluentes sanitários e/ou industriais.

Gestão de emissões atmosféricas

Para empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões, o gerenciamento das emissões atmosféricas é mais do que uma prática voltada ao cumprimento dos parâmetros definidos pela legislação. É uma expressão do compromisso da empresa com o meio ambiente e com a qualidade de vida das comunidades das regiões onde mantêm suas operações industriais.

Gestão do comportamento das pessoas

As práticas de responsabilidade social começam dentro da empresa com ações voltadas para o público interno. Um bom exemplo é o programa de educação ambiental que apresenta como objetivo principal conscientizar os colaboradores sobre temas ambientais e sociais, estimulando o consumo responsável dos recursos naturais, o comprometimento e as atitudes socialmente responsáveis.
 
Aspectos regulatórios

As legislações se apresentam de forma mais abrangente e específica para as atividades das empresas. As regulamentações sanitárias e ambientais são harmônicas e, com isso, as atividades desenvolvidas pelas empresas facilmente se enquadram em uma ou outra regulamentação que necessita ser amplamente atendida para que a empresa se estabeleça como atividade no município. A RDC nº 306/2004 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamenta o gerenciamento dos Resíduos de Serviço de Saúde (RSS), sendo que toda fiscalização do atendimento a esta RDC é desenvolvida pelos agentes da Vigilância Sanitária. Na mesma equivalência há a resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) nº 358/2005, escrita pelo Ministério do Meio Ambiente, a qual é fiscalizada pelos agentes ambientais estaduais e federais. Também no Estado de São Paulo há portarias específicas voltadas para o
gerador de resíduos de medicamentos, os quais têm grande impacto no meio ambiente e na saúde pública se descartados aleatoriamente. Assim é a portaria do Centro de Vigilância Sanitária nº 21 (CVS 21), publicada em 10 de setembro de 2008, que por meio de várias definições e  procedimentos estabelece as diretrizes para o gerenciamento específico dos resíduos desse tipo de atividade. A segurança ocupacional junto à preservação ambiental faz das regulamentações pilares de fundamental importância nos dias atuais. A contratação e a capacitação de profissionais especializados por parte das empresas estão diretamente relacionadas ao cumprimento das legislações, que exigem treinamentos específicos e procedimentos padronizados que possam assegurar a execução qualificada do serviço em todas as etapas do processo.

Publicado na revista Fármacos & Medicamentos 60 (Outubro/Novembro/Dezembro 2009)

Atualizado em Qui, 14 de Outubro de 2010 16:04

  
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