Do ponto de vista de um médico, por exemplo, é impossível não associar produtos de limpeza à qualidade de vida, bem-estar e, acima de tudo, à saúde. Graças à utilização de produtos de limpeza em larga escala, doenças comuns no passado, como cólera, peste bubônica, leptospirose e febre amarela, que fizeram milhões de vítimas, praticamente desapareceram.
A maioria da população ainda não associa a erradicação de doenças à utilização dos produtos de limpeza. A utilização regular desses itens fez com que a imagem dos mesmos fosse reduzida à função de dar cheiro bom ou eliminar a sujeira da casa. O médico Gonçalo Vecina Neto, ex-diretor presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), observa que “os produtos de limpeza são fundamentais não apenas para uma vida mais sadia mas para a própria construção da cidadania”.
O médico toxicologista Sérgio Graff é da mesma opinião. “Os produtos de limpeza são essenciais e estão cada vez mais ligados à saúde e à higiene das pessoas. A necessidade da utilização é tão patente e evidente que até as pessoas de nível socioeconômico mais baixo procuram produtos de limpeza, mesmo os mais baratos, mas nunca deixam de consumir. Por isso, os itens de limpeza não podem ser vistos apenas como produtos que proporcionam cheiro ao ambiente, por exemplo”, destaca.
A melhoria das condições de vida da população coincide com o surgimento dos produtos de limpeza. “Com a evolução da humanidade e à medida que as pessoas passaram a viver em casas, houve a necessidade de oferecer condições sanitárias adequadas à população, com ambientes livres de contaminações”, conta Flávio Zambrone, médico toxicologista.
Nesse contexto, a aplicação de produtos químicos tece (e possui) papel fundamental no tratamento de água e esgoto e na desinfecção de áreas para manipulação de alimentos. “Os produtos de limpeza trouxeram diversos benefícios para a sociedade. Hoje, nos grandes centros urbanos, é cada vez mais difícil encontrar casos de diarréia infantil, viroses ou contaminação por bactérias”, avalia Zambrone.
Segundo Sérgio Graff, há produtos que combatem diretamente algumas doenças. “Os inseticidas, por exemplo, são responsáveis pela eliminação de vários insetos transmissores de doenças como a dengue e a febre amarela, os raticidas evitam a leptospirose. Os desinfetantes também são utilizados para impedir infecções causadas por bactérias”, relata o toxicologista.
Dentre os produtos de limpeza utilizados para combater doenças, a água sanitária é, sem dúvida, a mais popular, sendo aplicada até hoje na prevenção da cólera. Transmitida pela bactéria Vibrio cholerae pela ingestão de água ou de alimentos contaminados, a cólera atingiu milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente no século XIX, quando as condições de saneamento e tratamento de água eram precárias. A utilização da água sanitária para desinfecção de alimentos e ambientes fez com que os casos de cólera quase desaparecessem.
Com a popularização da utilização dos produtos de limpeza, o que se observa é que a utilização inconveniente ou inadequada desses itens por parte do consumidor apresenta alguns problemas, principalmente casos de intoxicação infantil. Para Flávio Zambrone, esses problemas foram minimizados ao longo do tempo pela indústria com a adoção de algumas medidas de segurança, principalmente no que se refere à qualidade das embalagens, rotulagem contendo mais informações sobre os produtos e promoção de campanhas educativas e de orientação a população.
“A indústria está cada vez mais focada no desenvolvimento de produtos que ofereçam mais segurança e eficácia. Por isso, os produtos estão mais eficientes em doses menores”, afirma Sérgio Graff. “Determinado produto pode provocar alergia, mas essa reação somente deverá acontecer em uma pessoa em um grupo de um milhão. Por isso, não pode-se dizer que o produto que provoca alergia é nocivo”.
Flávio Zambrone alerta que os principais riscos à saúde são provenientes de produtos irregulares ou clandestinos. “O Brasil apresenta algumas peculiaridades. O custo menor destes produtos incentiva sua compra pela população menos privilegiada ou de baixa renda. As fábricas clandestinas não possuem qualquer preocupação com a qualidade e segurança do consumidor. O resultado disso é o aumento dos casos de intoxicação, principalmente em crianças”, conta o especialista.
Produtos de Limpeza Contra as Doenças
Com o aumento da temperatura durante os meses de verão, é comum que os insetos tragam aquele incômodo conhecido de todos. Os problemas, no entanto, não se resumem apenas ao incômodo habitual. Dependendo da espécie, os insetos podem provocar doenças sérias, como a dengue, febre tifóide, tuberculose e reações alérgicas. Para diminuir os riscos dessas doenças, os inseticidas apresentam papel fundamental, contribuindo tanto para a eliminação de insetos quanto de animais transmissores de patologias, como ratos e aranhas. Os inseticidas disponíveis no mercado são vendidos na forma de aerossóis, líquidos, elétricos, armadilhas e iscas, cada um com uma função específica, cabendo ao consumidor a opção por cada um dos produtos.
Entre as doenças provocadas por insetos, a dengue é certamente a mais conhecida. Os pernilongos domésticos também são responsáveis por reações alérgicas e são portadores de agentes infecciosos, disseminando doenças transmitidas pelo sangue de animai que foram picados. A mosca doméstica, por exemplo, pode provocar febre tifóide, lepra, tuberculose, gonorréia e meningite, além transmitir vermes e protozoários para os indivíduos.
No reino dos insetos e das doenças provocadas por eles, as baratas são um dos responsáveis pelo aumento de casos de asma nas grandes cidades. Elas transmitem esporos de fungos, bactérias e vírus e podem causar sérias doenças em seres humanos, como, por exemplo, toxoplasmose e hepatite B. Até as formigas, aparentemente inofensivas, podem disseminar fungos e bactérias. Em todos os casos citados, os inseticidas contém papel fundamental, pois possuem substâncias capazes de eliminar esses insetos e reduzir o risco de doenças.
Além dos insetos, outros animais podem provocar doenças que podem ser combatidas pela utilização de inseticidas. É o caso, por exemplo, das aranhas. Por conta do seu veneno, que contém toxinas extremamente potentes, as aranhas representam sérias ameaças aos seres humanos. No Brasil, a estimativa é que cerca de 8 mil pessoas são picadas por aranhas por ano. A utilização de inseticidas industrializados é também a melhor indicação para eliminar esses animais.
Apesar de os insetos oferecerem sérios riscos para a população, o rato é, sem dúvida, a maior ameaça, responsável pela transmissão de cerca de 55 doenças, entre elas e leptospirose. A contaminação ocorre normalmente por meio de alimentos infectados pela urina ou pelas fezes do animal, ou ainda se houver o contato de indivíduos com locais contaminados, como águas de enchente e esgotos. Além dessas formas de contaminação, as mordidas dos ratos também causam doenças graves. Para eliminar a infestação de ratos, o mais indicado é utilizar produtos industrializados, com armadilhas e iscas, que evitam o contato com roedores.
Independentemente da espécie (mosquitos, baratas, aranhas ou ratos) a utilização de inseticidas é fundamental para a redução de doenças provocadas por esses animais. Vale destacar o importante trabalho das indústrias para o desenvolvimento de produtos cada vez mais eficazes e seguros ao consumidor. Graças aos investimentos contínuos em tecnologia e inovação, os fabricantes de inseticidas cumprem seu papel na manutenção da saúde pública.
Publicado no Anuário da Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (ABIPLA) - 2007


















