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Seg, 25 de Outubro de 2010 09:05

Análise da Performance e Ocorrência de Helmintos em Bezerros Leiteiros Cruzados, Cridos em Modo Extensivo com o Uso de Anti-Helmínticos

Gabriel Rissio Lourenço e Aldo Francisco Alves Neto
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Introdução

O plantel bovino brasileiro possui ao redor de 170 milhões de cabeças. Os parasitas causam prejuízos tanto de forma direta quanto indireta, por exemplo, menor ganho de peso, déficit do rendimento de carcaça, queda na produção leiteira, maior índice de mortalidade, bem como gastos com antiparasitários e mão-de-obra.

Tratando-se de helmintoses gastrintestinais de bovinos, deve-se realizar um controle estratégico, pois os anti-helmínticos utilizados na época do ano correta geram melhores resultados, dessa forma ocorre aumento da lucratividade do rebanho.
 
No sistema de criação extensivo, de maneira geral, deve-se considerar que todos os bovinos estão parasitados, com carga parasitária diferente. Os danos causados pelos helmintos nem sempre são aparentes, sendo classificados neste caso como subclínicos. Por outro aspecto, os parasitos podem acarretar sinais clínicos característicos, como diarréia, mucosas pálidas, perda de apetite, pelagem opaca, emagrecimento, edema sub mandibular, debilidade, e até mesmo a morte. No entanto, o aspecto clínico ocorre em poucos casos, entre 2 e 10% do rebanho como um todo, sendo mais restrita aos bezerros.

A fase sub clínica está presente entre 90 e 98% dos casos, caracterizando-se por provocar retardo no crescimento, redução no ganho de peso, diminuição da produção leiteira, retardo na atividade reprodutiva e predisposição à outras doenças.

A importância da fase dita sub clínica é muito relevante, pois os animais chegam a ser impedidos de ganhar 45 Kg de peso vivo/ano, não apresentando sintomatologia clinica qualquer que chame a atenção do produtor para o desempenho inadequado do animal.

O desmame precoce em gado leiteiro mestiço, adotado antes dos dois meses de idade, determina infecções por helmintos gastrintestinais. Observando-se em exame de contagem de Ovos por Grama de Fezes (OPG), ovos de Strongyloides em fezes de bezerros com 15 dias de idade. Da mesma forma constaram que este parasita era o maior responsável por diarréias em bezerros nas primeiras semanas de vida, por causa de sua principal via de transmissão, a transmamária. Citar Neoascaris ao redor dos dois meses de vida, ocorrendo por via transplacentária, porém, aparece após o Strongyloides pelo fato de apresentar um período pré-patente mais longo. No momento em que inicia o pastejo, surgem os demais helmintos, iniciando-se pela Cooperia, sendo o helminto com maior prevalência no Brasil e dotado de um período pré-patente mais curto que os demais.

A ivermectina é um antiparasitário injetável, de amplo espectro de ação, muito utilizado em grandes animais de produção, por exemplo, bovinos, pequenos ruminantes e suínos. Pertence a classe das avermectinas, estas pertencem as lactonas macrocíclicas. A Ivermectina imobiliza os parasitas induzindo a uma paralisia tônica da musculatura destes. Tal efeito ocorre em razão do estímulo da abertura de canais de cloro existentes nas sinapses nervosas dos nematódeos, bem como nas placas ou nos botões neuromusculares em artrópodes, controlados pelo Ácido Glutâmico e pelo Ácido Gama Amino- Butírico (GABA), ilustrando desta forma que a ivermectina, além de possuir um efeito como endectocida, possui um efeito contra ectoparasitos.

Material e métodos

O estudo foi realizado na cidade de Lins (SP), a 450 km da capital. Utilizou-se material cedido por uma fazenda, a qual possui modelo de criação extensiva de bovinos leiteiros mestiços, ordenhados manualmente, no sistema balde ao pé.
Os animais foram vermifugados com o princípio ativo Ivermectina, via sub cutânea, nos meses de maio, julho e setembro segundo o esquema de vermifugação preconizado pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) em 2002.

O peso dos animais foi aferido por meio de fita de pesagem para gado leiteiro desenvolvido pela Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (SEBRAE-SP).

As amostras foram coletadas nos meses de maio, antes da realização da aplicação do vermífugo, e em seguida, nos meses de julho, setembro e novembro.

Pelo fato da vermifugação ser realizada em época de seca, grande parte das vacas encontravam-se no período seco, estando disponíveis para a realização do experimento um número limitado de animais.

Padronizou-se a coleta de fezes de 12 bezerros, independente do sexo, sendo utilizados quatro animais como controle, os quais não receberam vermífugo e oito animais do grupo dito experimento. Para a análise da resposta frente a vermifugação, calculou-se a média de peso dos animais, bem como a média de idade em cada coleta e a média de OPG.

As amostras foram coletas por via retal, utilizando-se luvas de procedimento. Em seguida a amostra era lacrada e acondicionada em um isopor com gelo para transporte ao laboratório, no qual realizou-se o exame coproparasitológico dos mesmos.
 
Apresentação do Ivermectina injetável subcutâneo

Frascos-ampola de polietileno contendo 50, 200, 500 ou 1.000 mL, fechados com rolha de borracha perfurável, lacrados com selo de alumínio inviolável e acondicionados em caixas de papelão. Cada 100 ml contém: Ivermectina 1,0 g, veículo qsp 100,0 ml. Prazo de validade: 36 meses após a data de fabricação.

Resultados

É possível notar que o OPG dos animais no começo do experimento era ao redor de 2300 OPG. Após três vermifugações foi possível reduzir para 400 OPG. Notou-se ainda que houve diminuição do OPG do grupo controle que era equivalente ao do experimento, e reduziu-se para 1.750 no final do experimento (Tabelas 1, 2, 3, 4).

tabela_ocorrencia_de_helmin

Quanto ao ganho de peso, os animais de ambos os grupos possuíam 54 kg no início do experimento e os animais vermifugados em novembro possuíam 154,12 kg. Os animais do grupo controle apresentaram peso médio de 130,75 kg.

Discussão

Nota-se que a vermifugação apresentou maior influência sobre os animais do grupo experimento (aqueles que foram vermifugados). Contudo, também exerceu influência sobre os animais não vermifugados (grupo controle), pois estes viviam no mesmo ambiente que os demais. A justificativa é que a redução de OPG nos animais não vermifugados provavelmente deveu-se a ocorrência de menor pressão de infecção na propriedade. Nota-se que o desde a segunda análise de pesos (Tabela 2), os animais não vermifugados começaram a apresentar um menor ganho de peso se comparados aos demais. Este dado ficou nítido na última análise, na qual o grupo controle apresentou 84,84% do peso dos animais do grupo experimento.

Referências Bibliográficas
1- Scott FB. Eficácia protetora de formulações convencionais e de longa ação do Ivermectin às infecções por nematóides gastrintestinais em bovinos. 1998. 87 p. Tese(Doutorado em Medicina Veterinária) Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Seropédica, 1998.
2- II Simpósio Pfizer sobre verminose bovina.Verminose dos bovinos, 2005. Disponível em http://www.pfizersaudeanimal.com.br/ControleEstrategico/5-7-9/AnaisIIsimposioPocket.pdf. Acesso em 13 de julho de 2010.
3- Lima WS, Guimarães MP, Leite ACR. Efeito do desmame precoce e da dieta sobre o comportamento das infecções helmínticas em bezerros. Arq. Bras. Med. Vet. Zoot., v.35, n.6, p.837-843, 1983.
4- Costa JROP, Costa ADP, Neto MP. Eliminação de larvas de Strongyloides papillosus (WEDL, 1856) pelo colostro e leite de bovinos: importância epidemiológica. R. bras. Med. Vet., V.19, N.1, P.37-42, 1997.
5- Aula: Gastrenterites parasitárias de bovinos, Aldo Francisco Alves Neto, Matéria Doenças Parasitarias, Curso de Medicina veterinária, Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Paulista, 2010.

Publicado na revista Fármacos & Medicamentos 63 (Julho/Agosto/Setembro 2010)

Atualizado em Seg, 25 de Outubro de 2010 09:30

  
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