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Dom, 24 de Janeiro de 2010 01:10

Hipertensão Arterial Sistêmica: Estratificando as Metas Terapêuticas

Celso Amodeo
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Definição

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma doença crônica degenerativa de etiologia multifatorial que compromete os vasos do organismo, determinando alteração no tônus vasomotor e favorecendo a vasoconstrição, aumentando a pressão arterial.

A HAS pode ser primária ou secundária. Na hipertensão arterial primária não há uma causa para o aumento da pressão arterial, mas geralmente existe predisposição genética. Os pacientes relatam que existem casos de hipertensos nos familiares mais diretos (pais, irmãos, tios e avós). Nos casos de hipertensão arterial secundária, é possível se determinar a causa do aumento da pressão arterial. Tal causa pode ou não ser tratável. Dentre as causas secundárias de hipertensão arterial destacam-se: as nefropatias, o diabetes, a apnéia obstrutiva  do sono, os tumores das glândulas supra renais e a estenose das artérias renais (Tabela 1).

 Diagnóstico

O diagnóstico da hipertensão arterial é realizado por meio da medida da pressão arterial com aparelhos de coluna de mercúrio, aparelhos automáticos ou aparelhos semi-automáticos.

Classificação

A classificação da pressão arterial está baseada nas cifras tensionais. A Tabela 2 demonstra tal classificação.

 Fisiopatologia

Como a doença é de etiologia multifatorial, em geral vários sistemas estão ativados na elevação da pressão arterial. O desenvolvimento da hipertensão arterial dependerá da integração de fatores genéticos e ambientais. O indivíduo nasce com uma predisposição genética para o desenvolvimento da doença.

Desenvolver ou não hipertensão dependerá, basicamente, do estilo de vida que as pessoas levam. Em indivíduos com predisposição genética e com estilo de vida inadequado (sedentarismo, dieta hipersódica, hipercalórica e hipergordurosa) a doença se apresenta mais precocemente, geralmente próximo da terceira década de vida e com características de maior resistência ao tratamento.

Vários são os sistemas neurohumorais envolvidos na hipertensão arterial, mas os principais são o sistema nervoso simpático e o sistema renina angiotensina aldosterona. Os rins possuem participação fundamental no desenvolvimento da doença, pois são responsáveis pelo balanço hidrosalino. Algumas pessoas apresentam uma situação genética de maior dificuldade de excreção do excesso de sal que consomem. Tais indivíduos são mais sensíveis ao sal.

Epidemiologia no Brasil

Não há estudo nacional que posicione a prevalência da hipertensão, porém, estudos pontuais efetuados no Sul do País, em São Paulo (SP) e em algumas outras cidades do interior de São Paulo e Nordeste, demonstram que a prevalência da doença está em torno de 25 a 30% na população adulta, mas pode chegar a mais de 50% na população mais idosa. Em crianças, essa prevalência é menor e não existem números nacionais que posicionem a exata prevalência.

Geralmente, até os dois anos de idade, a causa mais comum de hipertensão é a secundária (existe uma causa que pode ser tratável). Após os dois anos de idade, a prevalência aumenta progressivamente, com predomínio da hipertensão arterial primária sobre as causas secundárias (Figura 1).

 A hipertensão arterial e as doenças relacionadas à pressão arterial são responsáveis por alta freqüência de internações (Figura 2). Em 2005 ocorreram 1.180.184 internações por doenças cardiovasculares, com custo global de R$ 1.323.775.008,283.

 No Brasil, em 2003, 27,4% dos óbitos foram decorrentes de doenças cardiovasculares, atingindo 37% quando são excluídos os óbitos por causas mal definidas e violência. Entre os fatores de risco para mortalidade, a hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% daquelas por doença coronariana. A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial, a partir de 115/75 mmHg 1.

As V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial enfatizam a necessidade de estratificação do risco cardiovascular dos pacientes hipertensos. Tal estratificação está baseada no valor de pressão arterial e na presença de outros fatores de risco associados - idade, sexo e etnia,  fatores socioeconômicos, sal, obesidade, álcool e sedentarismo -, da identificação de  comprometimento de órgãos alvo e na coexistência de comorbidades. A Tabela 3 demonstra  essa estratificação.

 Deve ser observado que para o mesmo estágio de hipertensão arterial o indivíduo poderá estar com baixo, médio, alto ou muito alto risco cardiovascular adicional. Isso determinará estratégias terapêuticas diferentes. O tratamento deverá, portanto, estar baseado nessa estratificação de risco. A Tabela 4 orienta as medidas a serem tomadas diante de tais pacientes.

 No tratamento não-medicamentoso as medidas comprovadamente eficazes no controle da pressão arterial são:

• Atividade física;

• Dieta com pouco sal;

• Dietas ricas em potássio;

• Eliminação do álcool e tabaco;

• Perda de peso.

Quanto ao tratamento medicamentoso, as tendências das diversas diretrizes existentes é o início do tratamento com fármacos em associação. Quando a pressão arterial sistólica está acima de 20mmHg e/ ou a diastólica acima de 10mmHg dos valores recomendados para cada situação, recomenda-se o início do tratamento com medicamentos em associação, sendo que geralmente um diurético em doses baixas deverá sempre estar presente, salvo contra  indicação a sua utilização.

A escolha do medicamento obedece a presença de comorbidades que poderão se beneficiar de medicamentos que agem nas duas entidades. Exemplo disso é a utilização de inibidores da enzima de conversão ou bloqueadores dos receptores AT1 da angiotensina II em associação com diuréticos para o tratamento de hipertensos com insuficiência cardíaca.

O tratamento deve estar pautado no tripé do comprometimento. Em um dos lados estão os profissionais da saúde, que devem se comprometer com aquilo que aprenderam e procurarem fazer com que o paciente fique dentro das metas preconizadas para o seu caso específico. Na outra parte está o paciente, que deve se comprometer com a necessidade de tomar o medicamento, mas, também, de mudar seu estilo de vida. Finalmente, na outra parte do tripé, está a família do paciente, que também deve se comprometer em auxiliá-lo para que atinja as metas de seu novo estilo de vida.

Referências Bibliográficas

(1) V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006.

Publicado na Revista Nutrição Profissional 9 (Setembro/Outubro de 2006)

Atualizado em Qua, 24 de Março de 2010 09:02
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