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Qui, 12 de Novembro de 2009 15:25

Pesquisa da UNIFESP Analisa Doadores de Sangue Infectados Pela Hepatite C

Instituto Racine
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A avaliação de um método diagnóstico não-invasivo para detecção primária de lesão do fígado em portadores do vírus da Hepatite C (VHC) e apresentada como dissertação de mestrado na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) traz duas notícias: uma boa e uma ruim. A notícia boa é que um simples exame de sangue pode auxiliar a detectar, primariamente, se portadores da Hepatite C apresentam algum comprometimento do fígado e em que grau está esse comprometimento, sem a necessidade de se realizar, imediatamente, uma biópsia - procedimento cirúrgico no qual se colhe uma amostra de tecido do órgão para avaliar a evolução da doença.

De acordo com os resultados do estudo, o aumento dos níveis de ácido hialurônico (AH) no sangue de portadores está relacionado com lesão hepática. "A descoberta de métodos diagnósticos não-invasivos é de extrema importância, pois, além de minimizar os riscos para o paciente, também diminui os custos para a saúde", explica a bióloga Itatiana Rodart, autora da pesquisa.

O AH é uma substância presente, em diferentes proporções, em todos os órgãos do organismo humano e preenche os espaços entre as células. É responsável pelo volume da pele, forma dos olhos e lubrificação das articulações. A mensuração dos níveis desse elemento no sangue junto com demais informações também auxilia no diagnóstico de doenças como oftalmopatia associada à Doença de Graves, neoplasias, processos inflamatórios e doenças virais.

Muitas indivíduos não imaginam serem portadoras da Hepatite C e, quando descobrem, muitas vezes o fígado apresenta comprometimento. A pesquisa avaliou amostras de sangue de 50.607 doadores da Grande São Paulo e verificou que das 169 (0,33%) com anti-VHC positivos, 99 (58.57%), foram detectadas como portadores da doença. Destes, cerca de 70% estavam com alterações no fígado, apesar de não apresentarem sintomas clínicos da doença. Por não apresentarem qualquer sinal clínico ou ultrassonográfico de hepatite crônica, esses indivíduos consideram-se aptos a doar.

Na faixa etária de 40 a 49 anos houve maior prevalência do vírus (32,3%), sendo menor entre 60 e 65 anos (3%). O sexo masculino foi o que apresentou maior número de casos (77,78%).

O estudo também aponta que o subtipo de vírus da Hepatite C mais prevalente entre os portadores analisados é o tipo 1 (82,8%). De acordo com a bióloga, há seis tipos de vírus da Hepatite C pelo mundo e que demandam tratamentos diferentes. No Brasil, os tipos 1, 3 e 2 são, nessa ordem, os mais prevalentes, sendo que o tipo 1 é considerado o mais agressivo e que requer tratamento mais prolongado. Os tipos 2 e 3 respondem melhor ao tratamento e o tempo de medicação é reduzido pela metade (seis meses).

As informações que chegam às pessoas sobre a Hepatite C ainda são insuficientes e o compartilhamento de agulhas entre usuários de drogas ainda é o principal meio de transmissão atualmente, seguido pelo contágio em manicures e tatuagens.

Doença silenciosa

A infecção pelo vírus da Hepatite C (VHC) é considerada um problema de saúde pública mundial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) cerca de 170 milhões de pessoas em todo o mundo são portadoras de hepatite C crônica, com aproximadamente quatro milhões de novos casos de infecção descobertos por ano. O MS estima que, no Brasil, cerca de três milhões de pessoas sejam portadoras do VHC.

Apesar da possibilidade de cura, a doença é uma das principais causas das complicações hepáticas e transplantes de fígado, pois cerca de 70% a 85% dos casos de contaminação evoluem para doença crônica.

Atualizado em Sex, 05 de Fevereiro de 2010 15:01

 

 
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