Introdução
O tratamento cirúrgico do carcinoma de mama visa, além de erradicar a doença, proporcionar bases para o planejamento da quimioterapia, proporcionar a melhor qualidade estética e provocar o mínimo possível de seqüelas para o braço (Pinotti e Barros, 2004).
Atualmente, diferentes estudos têm sugerido que, além das dificuldades relacionadas ao tratamento, as mulheres com diagnóstico de câncer de mama também apresentam alterações na funcionalidade do braço, que interferem diretamente na qualidade de vida após o procedimento cirúrgico (Kuehn et al, 2000; Peintiger et al, 2003; Dubernard et al, 2004; Barros, 2005).
Com o objetivo de minimizar as alterações funcionais que ocorrem após a cirurgia mamária, ou seja, seqüelas freqüentes como dor, dormência, redução da amplitude de movimento do ombro, e linfedema, que levam a alterações no âmbito físico e emocional, é de suma importância o processo de reabilitação a ser desenvolvido por profissionais preparados para a função, que são os fisioterapeutas.
Exercícios para o braço
No período pós-operatório (PO) a diminuição do movimento do braço está relacionada principalmente aos sintomas de dor (incisão cirúrgica, região cervical e cintura escapular), diminuição da força muscular, alterações posturais, alterações da amplitude de movimento do ombro (dor no membro superior, região axilar, tronco e pescoço) e pelo medo da paciente em desunir as bordas cirúrgicas (Camargo et al, 2000).
A manutenção precoce do movimento tem como objetivo remover as barreiras que restringem o movimento e melhorar o potencial do paciente para a função. Deve-se manter o corpo em movimento para melhora da mobilidade, flexibilidade, força e resistência à fadiga. A manipulação periférica das articulações do membro superior deve ser iniciada após avaliação individual, e associada a programa de exercícios domiciliares, incluindo orientações a familiares e/ ou cuidadores (Magaldi, 2005).
A fase ambulatorial, em que a paciente se apresenta sem drenos e pontos, permite a realização dos exercícios para movimentação ativa do ombro, devendo ser respeitados os limites de dor e fases do processo de cicatrização, enfatizando-se o cuidado para a prevenção do linfedema. A manutenção da independência e do papel social torna-se importante na qualidade de vida das pacientes com câncer de mama. Osedentarismo prolongado contribui para o desenvolvimento da fadiga, perda de energia e de funções. A caminhada é uma das atividades que pode evitar o aparecimento dos efeitos não desejados decorrentes da doença, tratamento e inatividade. Portanto, caminhadas em baixa intensidade devem ser utilizadas no tratamento individual e nos grupos. As mulheres devem ser orientadas a realizá-las diariamente, bem como quanto a distâncias e horários adequados e monitorização da freqüência cardíaca. As contra-indicações específicas para essa atividade física devem ser consideradas, tais como freqüência cardíaca acima de 100 batimentos por minuto, dores, náuseas durante os exercícios, tonturas, cianose, dispnéia e dores na região torácica (Winnighan et al, 1991).
Linfedema
O linfedema é um problema comum que causa deformidade visível, afetando as pacientes no âmbito físico e emocional. A aparência do membro superior permite-lhes constante lembrança da cirurgia e do diagnóstico, comprometendo, além de sua imagem corporal, suas atividades diárias, seu relacionamento com familiares e com parceiro sexual (Bertelli et al, 1992; Petrek et al, 1998; Mortimer, 1998; Coster et al, 2001).
O objetivo do tratamento conservador de linfedema é a restauração permanente do equilíbrio conturbado entre a carga de proteína linfática e a capacidade de transporte vascularlinfático. A terapia complexa descongestiva consiste em uma combinação de técnicas descritas que são a drenagem linfática manual (DLM), cinesioterapia, bandagens e contensões elásticas (Petrek et al., 1998).
Segundo a técnica de Voldder, modificada por Foldi, o tratamento divide-se em duas fases: fase I (tratamento intensivo) que consiste em tratamentos diários, incluindo a DLM, automassagem e bandagens e, fase II, cujo objetivo é a manutenção dos resultados, na qual se utiliza DLM, automassagem, orientações para prevenção de infecções e bandagens em sessão semanal (Kasseroller, 1998; Leduc et al, 1998).
Torna-se imprescindível, em todas as fases do tratamento, que a paciente seja orientada quanto à prevenção de infecções e traumas e aos cuidados com o membro superior desde o PO, como higiene da pele, atividades de vida diária e profissional. Muitas destas recomendações são baseadas no National Lymphedema Network (1999). A Tabela 1 apresenta o guia modificado de recomendações para mulheres submetidas à cirurgia mamária com LAT.

Nem todas as modalidades de exercícios são benéficas para as mulheres com linfedema, sendo recomendadas atividades que não afetam de forma demasiada a circulação no membro superior, como natação e hidroginástica (utilizando contensões elásticas). Exercícios que envolvem excesso de peso ou movimentos repetitivos, como musculação e ginástica aeróbica devem ser evitados (Kisner et al, 1998; Petrek et al, 2000).
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Publicado na Revista Racine 90 (Janeiro/Fevereiro 2006)


















