Introdução
• Vários fatores determinam um resultado esportivo, a alimentação é um deles;
• A dieta variada e equilibrada ainda é a melhor “estratégia ergogênica”, nutricionalmente falando;
• O consumo de suplementos é cada vez mais difundido entre a população não atleta, mesmo com resultados ainda conflitantes na literatura científica;
• O consumo destes suplementos dietéticos pode ser indicado em determinadas situações do esporte;
• Falta ainda ser realizado maior controle pelos órgãos competentes sobre a qualidade dos suplementos vendidos no mercado nacional;
• A aplicação do registro de consumo alimentar, associado com dados de antecedentes de mudanças de peso e da composição corporal, pode ser sugerida como uma forma de se analisar o equilíbrio energético nesta população;
• No atendimento em consultório, três itens importantes devem ser lembrados:
- Não invente moda, as leis da alimentação estão bem estabelecidas;
- Deve-se prestar cuidado quanto à aplicação das recomendações nutricionais entre os indivíduos
fisicamente ativos - esportista não é atleta;
- O ser humano é movido a emoção - explore também o fator motivação para aumentar a aderência ao programa de mudanças alimentares;
• A ciência da Nutrição Desportiva pode ser analisada a partir de vários pontos de vista; este artigo analisa um deles.
População atleta
Citius, Altius, Fortius. Ser o mais veloz, o mais alto, o mais forte. Desde a antiguidade, o desejo do Homem foi o da superação constante, ultrapassar sempre os limites da sua própria natureza. Contam os livros de história que já os antigos atletas gregos tinham dietas especiais, que os ajudavam a prepará-los para os jogos de Olímpia (1). Carne de gazela com o intuito de serem mais velozes, carne de touro para serem mais fortes ou algum outro alimento do qual pudessem extrair alguma “particularidade”, alguma propriedade “extraordinária” que ajudasse a conseguir mais conquistas. Seja como for, esta nossa História nos relata formas de como o Homem procurou sempre superar seus limites. Passaram-se centenas de anos desde os primeiros jogos na Grécia Antiga, mas ainda continuamos observando, e cada vez em número mais crescente, uma grande quantidade de pessoas correndo atrás dessas propriedades “extraordinárias” ou “mágicas” nas mais diversas dietas da moda, no consumo de determinados alimentos ou no próprio consumo de suplementos dietéticos.
Embora as pesquisas com diversos nutrientes e/ou substâncias classificadas como ergogênicas estejam em auge, impulsionadas principalmente por uma indústria milionária, nas conclusões da maioria dos trabalhos atuais a este respeito, continua-se lendo que o consumo de uma dieta variada e adequada é (e continuará sendo) a recomendação mais apropriada para atingir as necessidades nutricionais diárias de esportistas e atletas (2, 3, 4). A dieta que preconiza o consumo variado de vegetais coloridos, frutas, raízes, tubérculos, leguminosas, cereais integrais, laticínios e carnes magras de todos os tipos, com certeza proporcionará todos os aminoácidos, proteínas, carboidratos, gorduras e micronutrientes para que o indivíduo possa atingir o seu melhor estado nutricional, o melhor estado de saúde e, conseqüentemente, a possibilidade de melhoria do rendimento esportivo, tanto no esportista ou, mais ainda, no atleta. Assim, considera-se que a dieta que procure a promoção da saúde seja também a mais indicada para aprimorar o desempenho esportivo (5).
Na prática nem tudo isso é possível. Muitos atletas levam uma vida cheia de compromissos e situações que não lhes permite comprar ou consumir alimentos adequados em virtude da agenda do treinamento, do trabalho, dos estudos e da família. Existem também os problemas gerados pela falta de recursos financeiros (tão comum no nosso meio), e a necessidade de viajar com freqüência (6). Pode-se considerar, inclusive, até as condições de moradia, é comum atletas viverem em “repúblicas”, com mínimas condições para a preparação dos alimentos e/ou mínimos conhecimentos para realizar as melhores escolhas alimentares.
Contudo, às vezes podemos nos surpreender com exemplos de atletas que se destacaram mesmo nestas condições de alimentação deficiente. Devido ao consumo de suplementos ser cada vez mais difundido, podendo se encontrar na mídia muita informação sobre seus possíveis efeitos ergogênicos, vamos então relacioná-los com o esporte de alto rendimento, pelo motivo de serem indicados, mais propriamente, para atletas.
Quando falamos de alto rendimento, é difícil não pensar em campeonatos mundiais ou mesmo em Jogos Olímpicos. Fazendo um levantamento sobre recordes no atletismo, vamos dizer, a “essência” para Citius, Altius, Fortius, pode ser encontrada - para surpresa de muitos - que, entre as 24 provas olímpicas (masculinas), existem recordes mundiais não superados há mais de 9 anos. Para citar exemplos: o recorde para lançamento de martelo foi conquistado pelo russo Yuriy Sedykh, em 1986; o lançamento de dardo tem como recordista o atleta da antiga Tchecoslováquia,
Jan Zelezny (1996); enquanto que o recorde para lançamento de disco foi conquistado em 1986 pelo atleta alemão Jurgen Schult.
No que se refere às provas de atletismo para mulheres, entre as 23 provas olímpicas há recordes mundiais não superados em mais de 15 anos. A atleta tcheca Jarmila Kratochvilova conquistou o recorde dos 800m em 1983; o recorde para arremesso de peso foi estabelecido em 1987, pela russa Natalya Lisovskaya; enquanto que a alemã Gabriele Reinsch é recordista absoluta do lançamento de disco desde 1988. Isto apenas para colocar alguns exemplos.
Diante destes recordes, avaliando unicamente a mo-dalidade de atletismo, uma das 29 modalidades esportivas disputadas nos Jogos Olímpicos em Atenas (2004), cabe uma pergunta a nos fazer: onde estão esses suplementos de propriedades extraordinárias que possibilitam melhorar resultados?
É claro que a resposta transparece rápida, em praticamente todas as conclusões dos trabalhos de pesquisas relacionados com a eficácia dos suplementos: “os resultados ainda não permitem conclusões definitivas, mais estudos precisam ser realizados para determinar o seu real efeito ergogênico.” Indo à contramão da velocidade de progressão dos recordes esportivos, podemos encontrar dados que mostram um crescimento assustador do consumo de suplementos, com cifrões a respeito das vendas dos mesmos. Segundo o Food and Drug Administration - United States of America (FDA/USA)(7), as vendas de suplementos nos Estados Unidos no ano de 1994 corresponderam a um total de 8,1 bilhões de dólares. Em 2000, estas vendas superaram os 17 bilhões da moeda americana. A supervalorização dos suplementos dietéticos nos faz pensar como se estes fossem o fator mais importante para melhorar o desempenho esportivo e/ou originar grandes mudanças na composição corporal.
Neste sentido, quando observamos o destaque de algum atleta em alguma modalidade, devemos lembrar de colocar em primeiro lugar a sua genética privilegiada, que associada também a outros fatores como o treinamento, a alimentação, o descanso, o apoio médico e psicológico, e o uso de equipamentos/acessórios/instalações na sua prática esportiva, somaram-se para contribuir na obtenção daquele resultado (8). Até mesmo fatores que não podemos controlar, como as condições climáticas, podem determinar um resultado esportivo. Quando todos esses fatores
convergem naquele dia decisivo, o atleta poderá então comemorar a sua vitória. Contudo, esses fatores podem convergir para mais de um atleta na mesma prova, então só resta dividir a glória. No caso da população esportista, lembrando seus limites biológicos e até antecedentes do estado nutricional, o panorama será o mesmo. Mesmo com todo esse panorama citado anteriormente, não podemos ser também extremistas e fechar as possibilidades para o consumo destas alternativas. No Consenso sobre Nutrição Desportiva do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 2003 (4), se estipulou que o consumo de suplementos dietéticos não substitui uma alimentação deficiente, porém, os mesmos poderão ser consumidos em determinadas circunstâncias:
• Quando o atleta apresenta um consumo alimentar restrito (por exemplo - atletas com dietas para competições por categoria de peso);
• Quando os atletas não apresentam uma dieta equilibrada (por exemplo - treinamento fora do local habitual e com possibilidade limitada de realizar refeições adequadas);
• Para repor água e perda de sais minerais em condições de grande sudorese; e,
• Nos casos de deficiência nutricional de cálcio e ferro.
Uma outra indicação para o consumo destes suplementos dietéticos seria devido a alguns conterem na sua composição, substâncias que possam contribuir, não diretamente para aumentar o rendimento esportivo, mas na recuperação de lesões no atleta (1). A presença de gorduras essenciais, alguns aminoácidos (como a arginina) e antioxidantes, são as substâncias que podem ser incluídas (9, 8, 10).
Neste aspecto, embora há resultados conflitantes na literatura, o campo da pesquisa está aberto a novas descobertas. Analisando os suplementos dietéticos de outro ângulo, um fato que deveria ser considerado cada vez mais importante, principalmente devido à invasão de suplementos das mais diversas origens, refere-se à idoneidade da qualidade dos mesmos. Será que o rótulo indica o seu real conteúdo? Teremos que confiar nas análises feitas pelos próprios fabricantes? Porque não é exigido que estas análises (principalmente da composição centesimal, da presença de contaminantes, da qualidade do produto, entre outras) sejam realizadas por laboratórios sob supervisão governamental ou mesmo de universidades credenciadas, que possuam a infraestrutura necessária? Os custos das análises deverão, é claro, ser pagos pelas próprias empresas, principais interessadas em mostrar à população que seus rótulos detalham verdadeiramente o conteúdo presente na embalagem. Recentemente, num fórum de atletismo realizado na cidade de Rio de Janeiro (RJ), foram mostrados resultados de uma pesquisa realizada em um laboratório da Alemanha, credenciado pelo próprio Comitê Olímpico Internacional (COI) (11).
No estudo, Análise de suplementos alimentares: esteróides anabolizantes e estimulantes, foram avaliados um total de 634 suplementos alimentares, provenientes de 215 indústrias e vendidos em 13 países diferentes. Os suplementos foram adquiridos pela compra direta em lojas especializadas (91,2%), pela internet (8,2%) ou pelo telefone (0,3%). Duas amostras (0,3%) foram enviadas para análise pelo próprio COI. A pesquisa mostrou que, das 634 amostras analisadas, 94 delas (14,8%) continham pró-hormônios não declarados no rótulo. Não puderam ser obtidos resultados confiáveis em 66 amostras (10,4%). De todas as amostras consideradas como “positivas” para a presença de substâncias proibidas, 23 (24,5%) continham pró-hormônios da nandrolona e testosterona; 64 amostras (68,1%) continham só o pró-hormônio para testosterona; sete amostras (7,5%) continham só o pró-hormônio para nandrolona. Nove das amostras continham o pró-hormônio para boldenona. O estudo mostrou que os suplementos que deram “positivo” foram atribuídos a indústrias localizadas apenas em cinco países: Estados Unidos, Inglaterra, Holanda, Itália e Alemanha. Cabe aqui nos perguntar: qual é a procedência dos suplementos vendidos no território nacional? Embora se saiba que existam indústrias nacionais, outroquestionamento pode ser então realizado: qual é a procedência da matéria-prima utilizada na produção destes suplementos? Em muitos rótulos das embalagens de produtos da indústria nacional é comum se ler: “matéria-prima importada”. Assim, deve-se ter cuidado com as escolhas a serem realizadas. Esse cuidado será menor, quanto maior informação devidamente comprovada e supervisada por órgãos competentes seja dada pelos fabricantes para nós, profissionais da nutrição desportiva.
Outros estudos encontrados na literatura têm relatado a mesma situação da presença de substâncias proibidas nos suplementos (12, 13).
O consumo de suplementos dietéticos pode sim ser indicado na prática esportiva em determinadas circunstâncias (4, 5), mas não devemos esquecer o seguinte fato: se o consumo dos mesmos por atletas ainda não é matéria de consenso na literatura científica, quando esse assunto é discutido para outros indivíduos ativos (pessoas que treinam por lazer nas academias, por exemplo), a sua indicação torna-se complicada (14). Dados sobre as recomendações nutricionais no esporte podem ser encontrados na literatura (1, 2, 4, 5, 6, 14, 15, 16, 17).
População esportista
Muitos dos estudos científicos utilizados para nortear recomendações nutricionais na prática esportiva utilizam atletas ou indivíduos bem treinados, aos quais se exige o máximo da sua capacidade física. Os mesmos, certamente, serão diferentes quando comparados com algum esportista que pratica uma atividade física por lazer: nível de treinamento, intensidade, freqüência e volume dos treinos, além das diferenças genéticas. Assim, tais recomendações deverão ser aplicadas com as devidas adaptações (18). Esportistas com treinos interdiários terão uma recuperação mais fácil, por exemplo, da sua reserva de glicogênio muscular, em relação a um nadador que treina em dois períodos, pela manhã e à tarde (19). Não é difícil encontrar situações nas quais se tenta aplicar diretamente os dados das pesquisas, na dieta ou no consumo de suplementos, procurando encontrar no esportista os mesmos resultados encontrados em indivíduos mais treinados. Assim, devemos aplicar as recomendações nutricionais ajustando-as a cada caso e segundo as necessidades impostas pelo exercício: esportista não é atleta.
Então, como podemos ajustar mais apropriadamente estas recomendações a esses indivíduos fisicamente ativos, e que representam, claro, numericamente falando, a maioria esmagadora quando comparados com a população atleta? Podemos analisar da seguinte maneira: qualitativa e quantitativamente.
Qualitativamente - Quando o assunto é alimentos, pode se concordar com o anteriormente mencionado para os atletas: a melhor dieta para a saúde, ou seja, a mais variada, é também a melhor tanto para o desempenho físico, quanto para a recuperação mais rápida (reservas energéticas ou estruturas lesadas), e claro, principalmente para a tal desejada mudança da composição corporal (perda de gordura e/ou aumento da massa muscular), principal objetivo de muitos destes esportistas quando nos visitam no consultório de nutrição. A variedade na alimentação condiz também com a promoção da qualidade de vida, que é o que todos procuram quando a associam com a prática regular de exercícios físicos.
Quantitativamente - Em relação aos macronutrientes, a sua distribuição na dieta, em porcentagens ou até mesmo em g/kg/dia, está relativamente bem definida (2, 15); porém, quando o assunto é micronutrientes, o tema ainda é polêmico, sendo geralmente utilizadas para esportistas e atletas as mesmas recomendações usadas para a população geral (3, 16).
Juntando estes dois parâmetros, podemos concluir que o principal condicionante para que a dieta seja adequada é a quantidade calórica a ser ingerida. Se um indivíduo gasta um maior número de calorias no exercício, possibilitará que sua dieta, com uma quantidade de calorias proporcionais ao gasto, possa fornecer em quantidade suficiente todos os macro e micronutrientes necessários, quando levado em consideração também o fator variedade (2, 3, 4). Com uma dieta caloricamente restritiva, fica difícil atingir as recomendações diárias de nutrientes, podendo haver nestes casos, a necessidade para a indicação de consumo de suplementos de vitaminas e/ou minerais (16).
Se o principal fator determinante é a quantidade energética, cabe então determinar o seu valor, o que não é uma tarefa fácil. Podemos encontrar na literatura diversas fórmulas e tabelas que ajudam a determinar o gasto calórico de um indivíduo (20). Da mesma forma, podem ser encontradas tabelas com os gastos energéticos para os mais diversos tipos de exercícios físicos (21, 22). Quando comparadas, podem inclusive mostrar dados diferentes para um mesmo tipo de exercício; para nosso paciente, a questão seria então aplicar a média? Assim, não é de se surpreender que cálculos de calorias (usando tabelas ou fórmulas), quando aplicados na prática para realizar o planejamento da dieta, estimem umaquantidade de comida que fica fora da realidade do indíviduo avaliado. As tabelas que mostram os gastos diferenciando o peso do indivíduo podem facilitar um cálculo mais aproximado (17, 21, 23).
A interpretação fica ainda mais difícil quando utilizamos fórmulas para o cálculo do gasto calórico de repouso, nas quais é solicitada apenas a idade, o sexo, o peso e, às vezes, a estatura do indivíduo (20). Para duas pessoas de 80kg, com composições corporais bem diferentes (fácil de se observar no tipo de população com a qual atuamos), o resultado do cálculo será o mesmo. É claro que haverá uma diferença funcional entre elas, principalmente quando falamos da capacidade de usar gordura ou carboidratos como fonte de energia.
Porém, em teoria, os cálculos nos indicam que ambas deverão ter o mesmo consumo calórico. Pode ser que a diferença funcional (devido à maior ou menor quantidade da massa metabolicamente mais ativa), seja pequena, mas, quando somado ao longo de meses, o resultado poderá mostrar na prática, situações significativamente diferentes. A redução da gordura corporal e o aumento da massa muscular, ainda que se mantendo o mesmo peso, podem elevar o gasto energético de repouso, pois o tecido muscular possui um nível metabólico superior (5). Durante a realização de exercícios, o fenômeno se torna mais evidente (24, 25).
Embora a conduta de trabalho que cada nutricionista possa seguir na sua atuação profissional seja um assunto particular, no sentido que cada um encontra a melhor formade conciliar a teoria com a prática, acredito pela minha experiência, que uma boa opção de poder chegar a um dado mais preciso do gasto calórico nesta população seria a partir do seu consumo diário: a aplicação do registro de consumo alimentar, associado com dados de antecedentes de mudanças de peso e de composição corporal. Todos os métodos de quantificação do consumo irão apresentar vantagens e desvantagens. Cabe ao profissional nutricionista ir se aprimorando cada vez mais na coleta das informações de forma mais minuciosa possível, de tal maneira que possa chegar a um cálculo mais preciso do consumo das mesmas.
Quantificadas as calorias, podemos então realizar o planejamento da dieta para garantir o fornecimento adequado de nutrientes, e com as devidas correções em relação ao gasto, realizar as mudanças necessárias de acordo com o objetivo da consulta.
Respeitando a individualidade biológica, algumas pautas podem ser sugeridas para o atendimento do esportista no consultório:
• Não invente moda. As leis da alimentação estão bem estabelecidas;
• Seja convincente o suficiente, lembre que muitos vêm para a consulta “contaminados” com informações erradas veiculadas pela mídia. Ainda mais se vem com a esperança de sair do consultório com uma lista de suplementos dietéticos;
• Explique o por quê da indicação de determinada dieta ou alimento. O paciente que visualizar o que se está explicando (cartilhas, fotos, imagens no computador etc), terá mais curiosidade e motivação - quanto mais informação o indivíduo tiver daquilo que vai realizar, melhor poderá ser a adesão ao programa de mudanças alimentares;
• Solicite informações do dia-a-dia do paciente, de maneira que nos permita um planejamento da dieta com as menores alterações da sua rotina diária. Não apenas da disponibilidade de comida, mas de situações que possibilitem o cumprimento das recomendações (exemplos: se mora sozinho, se chega tarde à noite, horário de reuniões de trabalho, se tem copa no serviço - e como esta equipada - , se viaja a trabalho com freqüência, entre outras);
• A solicitação de informações da rotina diária, e não apenas dos horários nos quais é realizado o exercício físico, será também de grande ajuda, principalmente nos casos em que o objetivo “vital” da consulta seja a perda de peso. Pode ser que o indivíduo realize 30 minutos de esteira todos os dias em casa ou na academia do seu prédio, porém trabalha o dia inteiro sentado. Daí a importância de lhe mostrar esse balanço energético na sua rotina do dia-a-dia. E para nós, é também uma característica a considerar no planejamento calórico. Todos gostamos de apreciar uma boa comida, assim, mostre para o paciente o ponto em questão, não necessariamente diminuir o prato, mas aumentar o gasto;
• Como no consultório são atendidos predominantemente esportistas, explique também da forma mais didática possível (cartilhas, fotos, imagens no computador), sobre as adaptações metabólicas e fisiológicas que ocorrerão no organismo, devido ao treinamento, principalmente as adaptações que possibilitarão a maior oxidação de gorduras. A motivação para a realização concomitante do programa de exercícios será um fator que se soma para a obtenção dos resultados. Lembre sempre, o ser humano é movido a emoção, precisa de estímulo de forma constante. Que a sua consulta seja mais um. (Neste ponto, não existe a menor pretensão de entrar em terreno alheio).
• Não esqueça - esportista não é atleta. Adapte ao eu paciente as recomendações nutricionais respeitando as características individuais e às exigências impostas pelo exercício realizado;
• No relacionado com o consumo de suplementos e adaptando as recomendações para a nossa população de consultório, podemos encontrar nos suplementos dietéticos, com todos os cuidados devidos, uma ajuda no caminho de facilitar a ocorrência de mudanças alimentares. Com um programa de atividade física regular associado a mudanças na alimentação, é natural que os] pacientes procurem resultados rápidos; porém, difícil será encontrar alguém que possa mudar seus hábitos de vida, principalmente os alimentares - enraizados com os anos - do dia para a noite,
especialmente entre os indivíduos de mais idade.
Na prática, o consumo de suplementos dietéticos pode se constituir, além de uma alternativa para o suprimento de nutrientes em situações específicas, e com a opção adicional de poder reduzir consideravelmente o fornecimento de gorduras, naquele estímulo para continuar a fazer as lentas mudanças. Uma espécie de cobrança, a final, devem ser consumidos em horários determinados. Faca de dois gumes? Não. Cabe ao nutricionista ir mudando e/ou trocando o consumo destes pela escolha dos próprios alimentos, até porque com resultados animadores (geralmente da composição corporal), o indivíduo estará mais motivado a realizá-los. Agora sim, aquela recomendação de acordar 15 minutos mais cedo para tomar um café da manhã mais adequado (apenas para colocar um exemplo), terá mais chances de ser cumprida. Cabe reforçar que foi referida apenas uma estratégia alternativa. Continua sendo o consumo único de alimentos o ideal a ser atingido. Em nenhum momento foi discutido o efeito placebo;
• A inclusão dos alimentos funcionais são uma excelente forma de garantir nutrientes e/ou substâncias que contribuirão ainda mais com a prevenção de doenças, conseqüentemente, com a promoção da saúde.
Conclusão
Muito é o que se tem avançado quanto a elucidar os procedimentos que possibilitam a obtenção de um melhor estado nutricional nos indivíduos engajados em práticas esportivas. As recomendações nutricionais estão cada vez mais próximas do ideal, embora, devido à diversidade de respostas do organismo humano para um mesmo estímulo, elas possivelmente possam ficar assim mesmo, muito próximas. O nutricionista do esporte deve saber adaptar essas recomendações para cada um dos seus pacientes. A literatura faz recomendações para o cuidado que os profissionais devem ter quanto à prescrição de suplementos dietéticos (1), principalmente pelo fato destes poderem conter substâncias proibidas não declaradas no rótulo ou até mesmo não possuir a composição centesimal prometida. Porém, ainda é pouca a informação para nós, nutricionistas, sobre estes dados que deveriam ser amplamente divulgados pelos fabricantes. Os dados referidos não correspondem apenas à “Informação Nutricional” que já aparece nos rótulos das embalagens, mas, às analises dos produtos realizadas sob supervisão dos órgãos fiscalizadores competentes. Contudo, não podemos fechar os olhos ao avanço da tecnologia, e por isso, o consumo de suplementos dietéticos idôneos pode ser indicado em algumas situações específicas do esporte. A melhor estratégia ergogênica – nutricionalmente falando - para esportistas e atletas é, e continuará sendo, a alimentação variada e equilibrada, cabendo ressaltar que a mesma, embora seja um fator importante, não é a determinante do sucesso esportivo.
Referências Bibliográficas
A lista contendo as referências bibliográficas deste artigo encontra-se à disposição dos leitores da revista Nutrição Profissional e pode ser solicitada pelo e-mail
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Publicado na Revista Nutrição Profissional 4 (Novembro/Dezembro 2005)



















