Mesmo com o início do outono, o cuidados com a dengue não devem ser interrompidos. A intensificação das chuvas e o calor contínuo, em vários estados, favorecem a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da doença. A prevenção deve ser mantida, mesmo com a redução de 37% nos casos de dengue, no comparativo entre janeiro e fevereiro de 2011 e 2010. Até 26 de fevereiro de 2011 foram registrados 155.613 casos em todo o País, contra 248.385 no mesmo período em 2010.
O Ministério da Saúde informa que é fundamental manter as ações de eliminação dos focos do mosquito e ficar atento para o surgimento dos primeiros sintomas da doença - recomendações que valem tanto para os gestores municipais e estaduais de Saúde quanto para a população. É necessário que sejam redobrados os cuidados, verificando o armazenamento de água, o lixo e todos os recipientes que possam acumular água e virar criadouros do mosquito. A população deve cobrar das Prefeituras o mesmo cuidado no ambiente público, com o recolhimento regular de lixo nas vias, a limpeza de terrenos baldios, praças, cemitérios e a fiscalização de borracharias.
De acordo com o último Levantamento do Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), divulgado em dezembro de 2010 pelo Ministério da Saúde, a maior parte dos criadouros do mosquito encontrados nas capitais do Norte e Nordeste estavam relacionados ao abastecimento irregular de água, em depósitos como caixas d’água, tambores e toneis.
No Sudeste e no Sul, predominam os criadouros em depósitos domiciliares, ou seja, dentro da casa ou do ambiente de trabalho das pessoas, em vasos e pratos de plantas, ralos, lajes e calhas. No Centro Oeste, as larvas do mosquito foram encontradas, na maioria das vezes, nos chamados resíduos sólidos, depósitos relacionados ao lixo acumulado.
Existem quatro variações (sorotipos) do vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Todos estão presentes no país. São transmitidos da mesma maneira (pela picada da fêmea do Aedes), produzem a mesma doença, têm sintomas idênticos e requerem os mesmos cuidados e tratamento.
A diferença é que a pessoa infectada pelo DENV-1, por exemplo, fica imunizada para este sorotipo, mas pode ter dengue novamente, se for infectada pelos outros três sorotipos. A cada nova infecção aumentam as chances de o paciente desenvolver uma forma grave, caso a doença não seja identificada e tratada de maneira rápida e adequada.
A recomendação é procurar o serviço de saúde mais próximo se surgirem os primeiros sintomas da doença: febre, dor de cabeça, dores nas articulações e no fundo dos olhos. E, fundamental, não tomar remédio por conta própria, pois isso pode mascarar sintomas e dificultar o diagnóstico. Além disso, um medicamento inadequado pode contribuir para agravar o quadro do paciente, aumentando a chance de morte.
No primeiro bimestre de 2011, o sorotipo DENV-1 foi o que mais infectou os brasileiros. Esta variante do vírus da dengue foi encontrada em 81,8% das amostras de pacientes que tiveram resultado positivo para dengue. Em 11% dos pacientes com diagnóstico confirmado para dengue, o sorotipo responsável pela doença foi o DENV-2; e em 1,8% das amostras positivas havia a presença do DENV-3.
Atualizado em Seg, 04 de Abril de 2011 17:57