As complicações cardíacas são consideradas as causas mais comuns de morbidade e mortalidade em todo o mundo: 17 milhões de indivíduos morrem, por ano, vítimas de doenças cardiovasculares. Esta é uma das razões pelas quais a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) acaba de lançar a campanha Proteja seus Rins, Salve seu Coração, no Dia Mundial do Rim, 10 de março de 2011.
O objetivo da campanha é conscientizar e ressaltar a importância do diagnóstico precoce da insuficiência renal e o impacto negativo que a doença causa ao coração.
No Brasil, estima-se que mais de 10 milhões de brasileiros apresentam algum grau de disfunção renal, aumentando acentuadamente a chance prematura de doença cardiovascular. Esse cenário preocupa tanto os nefrologistas, como os cardiologistas, uma vez que as duas doenças são relacionadas. Indivíduos hipertensos, diabéticos, idosos e com histórico familiar fazem parte do grupo de risco da doença renal crônica e devem ficar alertas. O diagnóstico precoce da doença renal pode impactar na redução da mortalidade por questões cardiovasculares em pacientes do grupo de risco.
A insuficiência renal age de forma silenciosa e, por isso, dificulta a demora no diagnóstico, comprometendo a saúde do coração. A situação poderia ser evitada se a doença fosse detectada em fase inicial, por meio de exames de rotina, como a dosagem da creatinina no sangue e análise de urina com a pesquisa de perda de proteína.
A evolução da doença renal desencadeia uma série de complicações que afetam o coração, como anemia, edema (inchaço), piora do controle da pressão arterial e elevação dos níveos de gordura no sangue (colesterol e triglicerídeos), entre outros.
A perda da função renal ocasiona um processo inflamatório crônico, e leva a alterações do metabolismo de cálcio e acúmulo de fósforo no organismo, fatores que contribuem também para a calcificação dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de enfarte, elevando o risco de morte prematura ocasionada pelo problema cardiovascular.
No Brasil, cerca de 95 mil pacientes dependem de diálise para sobreviver, mas apenas 10% são tratados com diálise peritoneal, segundo dados da SBN. Em outros países da América Latina, esse número pode chegar a 80%, como no México, e 46%, na Colômbia.
Diferente da hemodiálise, terapia que exige o deslocamento do paciente três vezes por semana para fazer o tratamento na clínica, na diálise peritoneal o paciente é treinado e realiza o procedimento em casa. Dessa forma, a pessoa fica livre para realizar suas atividades diárias normalmente. Tanto a hemodiálise, quanto a diálise peritoneal, como também o transplante renal são custeados na maioria dos casos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Sobre a Doença Renal Crônica
Segundo a SBN, um em cada 21 brasileiros apresenta algum grau de lesão renal e 90% dos pacientes não sabem que estão doentes, porque os sintomas só começam a aparecer quando o rim já perdeu mais de 50% da função. Nos últimos oito anos, os casos de pacientes que precisam de diálise no país aumentaram em 84%.
Fonte: Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)



















