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Qui, 27 de Janeiro de 2011 09:21

Alimentação Equilibrada Favorece Combate ao Câncer

Instituto Racine
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A alimentação inadequada e muitos dos componentes utilizados na composição dos alimentos industrializados têm sido associados com o processo de desenvolvimento do câncer, principalmente câncer de mama, cólon (intestino grosso) reto, próstata, esôfago e estômago. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), determinados tipos de alimentos, se consumidos regularmente durante longos períodos de tempo, parecem fornecer o tipo de ambiente que uma célula cancerosa necessita para crescer, se multiplicar e se disseminar. O Dia Mundial do Câncer - 4 de fevereiro, é uma oportunidade importante para que se reflita sobre esse assunto. 

No Brasil, observa-se que os tipos de câncer que se relacionam aos hábitos alimentares estão entre as seis primeiras causas de mortalidade por câncer. O perfil de consumo de alimentos que contêm fatores de proteção está abaixo do recomendado em diversas regiões do País. De acordo com uma pesquisa do Ministério da Saúde, que em 2010 entrevistou 54.367 indivíduos, o padrão alimentar no País se modificou para pior.

Apesar de consumir mais frutas e verduras, o brasileiro continua a comer muita carne gordurosa (um em cada três entrevistados) e opta por alimentos práticos, como comidas semiprontas, que são menos nutritivas. A ingestão de fibras também é baixa, observando-se coincidentemente, uma significativa freqüência de câncer de cólon e reto. O feijão, alimento rico em ferro e fibras, que tradicionalmente fazia o famoso par com o arroz, perdeu espaço na mesa dos brasileiros. Em 2006, 71,9% da população revelava comer o grão ao menos cinco vezes na semana. Em 2010, a média caiu para 65,8%. No estado do Rio de Janeiro, a média de consumo do feijão ainda é alta: 71,7%. A queda na média nacional pode ser atribuída às modificações na dinâmica da família brasileira, que tem cada vez menos tempo de preparar comida em casa e o feijão possui preparo demorado. O consumo de gorduras é mais elevado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde ocorrem as maiores incidências de câncer de mama no País.

Outro dado negativo é que os refrigerantes e sucos artificiais - que apresentam alta concentração de açúcar - ganharam espaço na preferência dos brasileiros. Ao todo, 76% dos adultos bebem esses produtos pelo menos uma vez por semana e 27,9%, cinco vezes ou mais na semana. O consumo quase que diário aumentou 13,4% em um ano. Entre os jovens de 18 a 24 anos, a popularidade dos refrigerantes é ainda maior: 42,1% tomam refrigerantes quase todos os dias. Apesar de o mercado oferecer cada vez mais versões com menos açúcar, como os diet e os light , somente 15% dos brasileiros optam por eles. Os jovens também preferem alimentos como hambúrguer, cachorro-quente, batata frita que incluem a maioria dos fatores de risco alimentares acima relacionados e que praticamente não apresentam fator protetor algum. Essa tendência se observa não somente nos hábitos alimentares das classes sociais mais abastadas, mas também nas menos favorecidas. O consumo de alimentos ricos em fatores de proteção, tais como frutas, verduras, legumes e cereais, tem aumentado, mas ainda é baixo. Segundo o levantamento do Ministério da Saúde, 30,4% da população com mais de 18 anos comem frutas e hortaliças cinco ou mais vezes na semana. Entre os entrevistados, 18,9% disseram consumir cinco porções diárias (cerca de 400 gramas) desses alimentos, mais do que o dobro do percentual registrado em 2006.

Alimentos ricos em gorduras, tais como carnes vermelhas, frituras, molhos com maionese, leite integral e derivados, bacon, presuntos, salsichas, lingüiças, mortadelas, dentre outros, são os alimentos que devem ser evitados ou ingeridos com moderação. Existem também alimentos que contêm níveis significativos de agentes cancerígenos, como os nitritos e os nitratos utilizados para conservar alguns tipos de alimentos, como picles, salsichas e outros embutidos e alguns tipos de enlatados, que se transformam em nitrosaminas no estômago. As nitrosaminas possuem ação carcinogênica potente, sendo responsáveis pelos altos índices de câncer de estômago observados em populações que consomem alimentos com estas características de forma abundante e freqüente. Os defumados e churrascos são impregnados pelo alcatrão proveniente da fumaça do carvão, o mesmo encontrado na fumaça do cigarro e que possui ação carcinogênica conhecida. A maneira como um alimento é preparado também influencia no risco de câncer. Deve-se adicionar menos sal ao cozinhar, aumentando o uso de temperos como azeite, alho, cebola e salsa. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de até 5 g de sal ou 2 g de sódio por dia, ou seja, o equivalente a uma tampa de caneta cheia.

Há vários estudos epidemiológicos que sugerem a associação de dieta rica em gordura, principalmente a saturada, com um maior risco de se desenvolver esses tipos de câncer em regiões desenvolvidas, principalmente em países do Ocidente, onde o consumo de alimentos ricos em gordura é alto. Os cânceres de estômago e de esôfago ocorrem mais freqüentemente em alguns países do Oriente e em regiões pobres onde não há meios adequados de conservação dos alimentos (geladeira), o que torna comum o uso de picles, defumados e alimentos preservados em sal.

A adoção de uma alimentação saudável contribui não apenas para a prevenção do câncer, mas também de doenças cardíacas, de obesidade e de outras enfermidades crônicas como diabetes mellitus. É importante frisar que a alimentação saudável somente funcionará como fator protetor se adotada constantemente, no decorrer da vida. Neste aspecto devem ser valorizados e incentivados antigos hábitos alimentares do brasileiro, como o consumo do arroz com feijão.

Fonte: www.inca.gov.br / www.saude.gov.br

 

Atualizado em Qui, 27 de Janeiro de 2011 09:45

  
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