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Ter, 14 de Setembro de 2010 16:19

O Papel do Farmacêutico no Tratamento do Câncer de Mama

Agnes Helena Nogueira da Silva
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Pela legislação RDC nº 220, publicada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) em 21 de setembro de 2004, que regulamenta os estabelecimentos públicos e privados do país que realizam tratamento de quimioterapia antineoplásica, o farmacêutico deve fazer parte da equipe multiprofissional em terapia antineoplásica, como responsável pela manipulação de todos os antineoplásicos. A manipulação desses medicamentos deve seguir a prescrição médica e ser feita segundo o preconizado em literatura, em ambientes e condições assépticos e obedecendo a critérios internacionais de segurança.

O farmacêutico fica responsável pelo estabelecimento de procedimentos operacionais padrão (POPs) da área, das rotinas em caso de acidentes com antineoplásicos e também pelo descarte dos resíduos. É do farmacêutico a responsabilidade pela manutenção do banco de dados da central de quimioterapia onde devem constar todas as prescrições manipuladas, com nomes, data, medicamentos, dosagens, validade, lotes, entre outras informações que possibilitem a rastreabilidade de todos os medicamentos utilizados.

São atribuições do farmacêutico avaliar os componentes presentes na prescrição médica quanto à quantidade, qualidade, compatibilidade, estabilidade e suas interações.

No caso do tratamento sistêmico do câncer de mama, as drogas usadas na quimioterapia (QT), como já foi exposto, seguem esquemas preconizados e o farmacêutico deve estar atento aos efeitos colaterais esperados (toxicidade inerente à droga) e às reações de hipersensibilidade e/ou toxicidade individuais. Nos medicamentos via oral, também é muito importante que o farmacêutico oriente o paciente quanto ao correto modo de tomar os medicamentos, minimizando as dúvidas e checando a adesão ao tratamento. Isso é fundamental no caso de antineoplásicos usados via oral, uma vez que nem sempre são adquiridos em hospitais e farmácias, sendo fornecido por distribuidoras, tipo delivery.

Principais drogas usadas no tratamento do câncer de mama

Anastrozol (Arimidex®, Anastrol®): antineoplásico - categoria miscelânea

  • Mecanismo de ação: inibidor não esteroidal específico da aromatase;
  • Indicações: tratamento de câncer de mama localmente avançado ou metastático, em mulheres pós menopausadas com receptor hormonal positivo ou desconhecido ou em câncer de mama avançado em mulheres menopausadas com progressão de doença na vigência do tamoxifeno.

Capecitabina (Xeloda®): antineoplásico categoria antimetabólito

  • Mecanismo de ação: prodroga do fluorouracil – hidrolisada no fígado e tecidos para formar o 5 FU ativo;
  • Indicações: tratamento de câncer coloretal e de mama metastáticos.

Ciclofosfamida (Genuxal®, Fosfaseron ®): antineoplásico – categoria dos alquilantes

  • Mecanismo de ação: entrecruzamento da cadeia de DNA e RNA e inibição da síntese de proteínas.
  • Indicações: leucemia linfocítica aguda ou crônica, leucemia mieloblástica aguda, câncer de mama, ovário, testicular e endométrio, linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin, mieloma múltiplo,
    neuroblastoma, tetinoblastoma, sarcoma de Ewing´s e micose fungóide;

Docetaxel (Taxotere®): antineoplásico, alcalóide da família dos taxanos

  • Mecanismo de ação: age em nível dos microtúbulos da célula, onde se fixa às subunidades beta da tubulina e as estabiliza. O bloqueio da despolimerização dos microtúbulos altera a mitose
    e causa morte celular.
  • Indicações: tratamento de câncer de mama localmente avançado ou metastático, na adjuvância em casos de falha das antraciclinas, câncer de pulmão não-pequenas células metastático ou localmente avançado após falha na quimioterapia com platina.

Doxorrubicina (Adriblastina®, Adriamicina ®, Rubidox®, Doxorrubicina®): antibiótico antineoplásico

  • Mecanismo de ação: inibição da síntese do DNA e RNA, intercalando entre as bases, inibindo a topoisomerase;
  • Indicações: leucemia linfoblástica aguda, leucemia mieloblástica aguda, tumor de Wilm’s, neuroblastoma, sarcoma de tecidos moles e ósseo, carcinoma de mama e ovário, de células
    transicionais de bexiga, carcinoma de tireóide e câncer gástrico, doença de Hodgkin, câncer broncogênico (tipo pequenas células).

Exemestano (Aromasin®): antineoplásico - categoria miscelânea

  • Mecanismo de ação: inativador esteroidal irreversível da aromatase;
  • Indicação: tratamento do câncer de mama localmente avançado em mulheres menopausadas cuja doença progrediu após terapia com tamoxifeno.

Filgrastima (Granulokine®, Granulen ®): estimulante de colônias de granulócitos

  • Indicações: doença malígna não mielóide com terapia antineoplásica mielossupressora associada (significativa incidência de neutropenia grave), neutropenia febril.

Fluorouracil (Fluorouracil®): antineoplásico antimetabólito

  • Mecanismo de ação: análogo da pirimidina que interfere na síntese do DNA bloqueando a metilação, inibindo a timidinosintetase;
  • Indicações: tratamento de carcinomas de mama, colo e reto, cabeça e pescoço, estômago e topicamente na queratose actínica ou solar e carcinoma superficial de células basais.

Goserelina (Zoladex®): antineoplásico – categoria miscelânea; análogo do LHRH

  • Mecanismo de ação: após um aumento inicial do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio folículo estimulante (FSH) a administração contínua resulta na supressão sustentada das
    gonadotrofinas coriônicas; “castração” química;

Letrozol (Femara®): antineoplásico; inibidor não-esteróide da aromatase

  • Indicação: tratamento do câncer de mama avançado em mulheres na pósmenopausa.

Megestrol, acetato (Megestate®): antineoplásico hormonal, estimulante do apetite

  • Mecanismo de ação: progetágeno sintético, com ação antiestrogênica, por competição nos receptores;
  • Indicações: tratamento paliativo do carcinoma de mama ou endométrio avançados (recorrente, inoperável, metastático), carcinoma de ovário, endometriose, câncer prostático sintomático em estágio D, hipertrofia prostática benigna, anorexia, caquexia ou perda de peso não explicáveis em pacientes com AIDS.

Metotrexato (Miantrex®, Tecnomet ®): antineoplásico, antimetabólito

  • Mecanismo de ação: análogo dos folatos, que inibe a síntese do DNA, ligando irreversivelmente a dihidrofolatoredutase;
  • Indicações: coriocarcinoma gestacional, coriocarcinoma invasivo e mola hidatiforme, leucemia linfocítica aguda (prevenção de leucemia meníngea), câncer de mama, carcinoma epidermóide de cabeça e pescoço, câncer de pulmão não-pequenas células, estádios avançados de linfomas não Hodgkin, osteossarcoma nãometastático que sofreram ressecção cirúrgica ou amputação do tumor primário (em altas doses), controle da psoríase severa, artrite reumatóide (severa, atípica, clássica ou definida).

Paclitaxel (Taxol®, Parexel®): antineoplásico, alcalóide da família dos taxanos

  • Mecanismo de ação: impede a migração dos microtúbulos, por aumentar a ação da tubulina, inibindo a divisão celular;
  • Indicações: Ccarcinoma metastático de ovário após falha da 1ª linha de QT, carcinoma de mama após falha da terapia combinada para doença metastática ou lapso de seis meses na terapia adjuvante.

Tamoxifeno (Nolvadex®, Tecnotax®,  Tamoxifeno®): antineoplásico, antiestrogênico

  • Mecanismo de ação: liga-se competitivamente aos receptores estrogênicos nos tumores e tecidos alvos, produzindo um complexo que diminui a síntese do DNA e inibe os efeitos
    estrogênicos;
  • Indicações: tratamento do câncer de mama com linfonodo axilar negativo em mulheres após mastectomia total ou segmentar, linfadenectomia axilar e radioterapia; tratamento de câncer de mama metastático de mulheres e homens; em mulheres na pré-menopausa com câncer de mama metastático é uma alternativa à ooforectomia ou irradiação ovariana.

Trastuzumab (Herceptin®): anti-corpo monoclonal

  • Mecanismo de ação: liga-se à porção extracelular do receptor 2 do fator de crescimento epidérmico e media uma citotoxicidade anticorpo-dependente em células que superexpressam o
    HER-2;
  • Indicações: como agente único, no tratamento de pacientes com câncer de mama cujo tumor superexpresse o HER-2 ou que tenham recebido um ou mais regimes para a doença metastática. Em combinação com o placlitaxel/docetaxel em câncer de mama cujos tumores superexpressem
    o HER-2.

Toxicidade dos principais medicamentos usados no tratamento do câncer de mama

  • Anastrozol: dermatológica, endócrina, gastrointestinal e neurológica (central)
  • Capecitabina: cardíaca, endócrina, gastrointestinal, hematológica, hepática, neurológica (central e periférica), ocular e pulmonar;
  • Ciclofosfamida: dermatológica, cardíaca, endócrina, gastrointestinal, hepática e pulmonar;
  • Doxorrubicina: dermatológica, cardíaca, gastrointestinal, hematológica, hepática e hipersensibilidade;
  • Docetaxel: cardíaca, gastrointestinal, hematológica, hipersensibilidade e neurológica (periférica);
  • Doxorrubicina lipossomal: cardíaca, gastrointestinal, hematológica;
  • Exemestano: dermatológica, endócrina, gastrointestinal, neurológica (central) e pulmonar
  • Filgrastima: dermatológica, gastrointestinal, hematológica e hepática;
  • Fluorouracil: dermatológica, cardíaca, gastrointestinal, hematológica e neurológica (central);
  • Goserelina (acetato): dermatológica, endócrina e gastrointestinal; 
  • Letrozol: endócrina, gastrointestinal, neurológica (central) e pulmonar;
  • Megestrol (acetato): dermatológica, endócrina, gastrointestinal e neurológica (central);
  • Metotrexato: cardíaca, gastrointestinal, hematológica, hepática, neurológica (central), pulmonar e
    renal;
  • Paclitaxel: dermatológica, cardíaca, gastrointestinal, hematológica, hipersensibilidade, neurológica (central e periférica);
  • Tamoxifeno: dermatológica, cardíaca, endócrina, gastrointestinal, hematológica, hepática, neurológica (central), ocular e pulmonar;
  • Trastuzumab: cardíaca, dermatológica, gastrointestinal, neurológica (central e periférica);

Conclusão

Na minha opinião, fica demonstrado que o farmacêutico cada vez mais está sendo chamado a fazer parte de equipes multiprofissionais e deve estar apto a prestar informações técnicas sobre os medicamentos aos outros profissionais e aos pacientes, devendo sempre estar atualizado, conhecendo resultados de trabalhos clínicos sobre interações, reações adversas e efeitos colaterais, por exemplo. Para tanto, deve participar de congressos, cursos etc, referentes à área, necessários à sua formação e atualização.

Referências Bibliográficas
A lista contendo as Referências Bibliográficas deste artigo encontra-se à disposição dos leitores na redação da Revista Racine e pode ser solicitada pelo e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo.

Atualizado em Ter, 14 de Setembro de 2010 17:43

  
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