Nos últimos anos, falou-se muito sobre a implementação quantitativa e qualitativa dos serviços de saúde em nível mundial e sobre as alterações no cuidado com a saúde que ocorrem principalmente em resposta à mudança das expectativas dos pacientes. A expectativa de melhor assistência ou de qualidade na assistência estimulam os hospitais a proporem um cuidado gerenciando caracterizado por mudanças no papel do provedor, passando de gerenciador de doença para gerenciador de saúde (Gouvea e Shane, 1997).
A estrutura determinada sob a preposição de que deve haver uma substancial consistência entre o que os pacientes necessitam para obter bons resultados na recuperação da saúde e o que os serviços realmente oferecem, fomenta discussão e demonstra a necessidade iminente de mudança no papel da equipe de saúde.
Dentro da proposta do cuidado gerenciado, o farmacêutico torna-se um elemento-chave dentro da equipe de saúde ocupando o papel na assistência à terapêutica, envolvendo-se nas diversas áreas dentro dos hospitais: prevenção de doenças, primeiros cuidados, cuidados subagudos e urgências, distribuição racional de medicamentos hospitalares, sistemas de informação, assistência ambulatorial, entre outros. Além disso, o farmacêutico pode gerenciar a farmacoterapia, não apenas durante a internação, mas também na alta hospitalar, garantindo a adesão do paciente e a continuidade do tratamento após a alta. A adesão também remete ao problema do custo com a saúde (Johnson e Bootman, 1995). Sem custo compatível, o acesso a farmacoterapia pode ser inviabilizado e o trabalho da equipe torna-se ineficiente. Neste ponto também há demanda importante para o farmacêutico na implementação de estudos farmacoeconômicos que viabilizam a farmacoterapia e propiciem a adesão.
Desde os anos 1960, fala-se sobre o papel do farmacêutico no cuidado com a saúde, mas pouco se implementa. Muito mais do que pontuar as diferenças das funções do farmacêutico antes e depois da farmácia clínica, ou entre o papel do distribuidor do medicamento para o cuidador da farmacoterapia, é necessário que o farmacêutico possua preparo para uma atuação mais marcante.
É necessário que o farmacêutico exerça integralmente seu “estado-de-arte" (Gouvea e Shane, 1997), que se configura como uma opção mais avançada do pleno exercício da profissão farmacêutica, aplicando seus conhecimentos e exercendo seu papel na equipe multiprofissional para favorecer a prática de uma terapia segura e racional, minimizando riscos e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Publicado no Portal Racine (Agosto/2006)


















