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Políticas Públicas para Redução da Ingestão de Sódio nas Américas são Foco de Discussão no Congresso da Sociedade Latino-Americana de Nutrição (SLAN 2009)
Durante a mesa redonda sobre políticas públicas para a redução da ingestão de sódio nas Américas, estiveram presentes a professora Branka Legetic, membro da Organização Panamericana de Saúde (OPAS), escritório regional para as Américas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o professor Norman Campbell, da Universidade de Calgary e coordenador do Canadian Hypertension Prevention and Control, o professor Omar Dary, Ph.D. em bioquímica e conselheiro de fortificação de alimentos do Projeto MOST, e a professora Maria Cristina Escobar, epidemiologista-chefe do Departamento de Doenças Não-Transmissíveis da Subsecretaria de Saúde Pública do Ministério de Saúde Chileno.
A professora Branka Legetic abordou diversos aspectos envolvendo o consumo de sódio e suas conseqüências para a saúde. Reforçou também a relação da diminuição do consumo de sódio com a prevenção de doenças cardiovasculares. Por outro aspecto, pontuou o consumo excessivo de sódio como risco para doenças como hipertensão arterial sistêmica, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência renal e obesidade.
Segundo a mesma, deve haver uma modificação no pensamento geral com relação à redução no consumo desse micronutriente, ou seja, a diminuição do consumo de sódio deve ser encarada como um fator fundamental para a prevenção de doenças e não mais como tratamento. Branka afirmou ainda que as ações somente serão efetivas se o governo atuar como realizador de campanhas públicas que possuam como foco a população em geral, pois os consumidores devem estar conscientes do que estão ingerindo e de que maneira isso pode impactar em sua saúde.
Complementando os dados expostos, o professor Campbell divulgou que 95% da população apresenta ou desenvolverá hipertensão arterial, ressaltando a importância da prevenção, sendo que a diminuição em 2 mmHg da pressão arterial reduz em 6% o risco de AVC.
Em setembro de 2009, 18 especialistas realizaram um consenso sobre o tema, em Miami, Estados Unidos da América (EUA), recomendando a redução gradual e sustentável do consumo de sal para 5 g/dia por indivíduo até 2020, atingindo assim a recomendação da OMS, publicada em 2004 1.
Dados da população chilena, levantados pela professora Escobar, demonstram que a realidade é bem diferente do ideal, pois o consumo atual de sal é de 12,2 g/dia, sendo 6,5 g provenientes de produtos prontos e industrializados.
Para que essa meta de redução seja alcançada, diversas ações foram propostas e direcionadas a setores da sociedade:
· Governo - Deve ser responsável por formular programas que incentivem a redução do consumo de sódio, além de campanhas de educação nutricional que alertem as crianças sobre os riscos do consumo excessivo. Sugere-se também que o governo regulamente, junto às indústrias, a declaração obrigatória da quantidade de sódio presente nos alimentos industrializados, para que o consumidor possa entender facilmente a quantidade de sódio ingerida;
· Indústria - Deve ter papel ativo e investir em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias para reduzir a quantidade de sódio em seus produtos, bem como investir na comunicação dos mesmos. Para que tal meta seja atingida, é necessário fixar um cronograma para a reformulação dos produtos e planejar a cadeia de distribuição para que esses produtos estejam ao acesso de população.
O Prof. Omar ressaltou que, mesmo com a redução no consumo de sal, a ingestão adequada de iodo não será afetada e que o mesmo pode ser também utilizado para a fortificação de outros alimentos.
Gisele Pavin, coordenadora de nutrição da Unilever Brasil, ressalta que a Unilever vem reduzindo significativamente o sódio dos produtos, mesmo de categorias polêmicas como sopas e caldos. O intenso investimento em tecnologia permitiu à companhia aderir ao programa Minha Escolha, ao lançar produtos que contém não apenas menos sódio, mas também teores controlados de açúcar e de gorduras saturadas e trans.
No Brasil, dados de Sarno et al (2009) 2 demonstram que, embora a maior parte do sódio disponível para consumo em todas as classes de renda provenha do sal de cozinha e de condimentos à base desse sal (76,2%), a fração proveniente de alimentos processados com adição de sal aumenta linear e intensamente com o poder aquisitivo domiciliar. Sendo que o brasileiro consome 4,5 g de sódio por dia, duas vezes mais do que a recomendação de 2 g, é importante ressaltar que tanto a educação da população para não salgar os alimentos em excesso, quanto à melhoria do perfil nutricional dos alimentos industrializados são fundamentais para a saúde da população.
Assim como este conteúdo, o leitor encontra outros tópicos que foram debatidos durante o SLAN e foram trazidos pela equipe de nutricionistas da Unilever para o Portal Racine.
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Referências Bibliográficas
1. WHO. WHO global strategy on diet, physical activity and health. Public Nutr. 2004; 7(3): 361-1.
2. Sarno F, Claro RM, Levy RB, Bandoni DH, Ferreira SRG, Monteiro CA. Estimativa do consumo de sódio pela população brasileira. Rev. Saúde Pública 2009, 43(2):219-25.














